Agrotóxico: Insegurança Alimentar!

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     Não há segurança quando falamos em aplicação de agrotóxicos, segundo dados do Ministério da Saúde, são registrados mais de 400.000 casos de intoxicação e 4.000 mortes por ano e para cada caso de intoxicação notificado há 50 casos sem notificação.

     Pós segunda guerra mundial, os produtos que eram utilizados como armas químicas, são reposicionados e passam a ser introduzidos nas lavouras como aditivos da produção de alimentos. As empresas fabricantes destes insumos com o intuito de dar continuidade a produção destes químicos, e sem mercado consumidor, devido ao fim da guerra, passam a criar um novo nicho de mercado para seus produtos químicos. Os pioneiros no uso destes produtos foram os Estados Unidos e Europa. Após alguns anos de uso destes produtos nas lavouras americanas e europeias, começaram os questionamentos sobre os riscos de intoxicação dos trabalhadores rurais e intoxicação da população por ingestão de alimentos contaminados.

     As indústrias de Veneno em contrapartida iniciam uma grande campanha de disseminação da venda e utilização desses produtos em outros países, denominados como países de terceiro mundo ou países em desenvolvimento. Na década de 60, esses produtos chegam ao Brasil com grande incentivo do governo da época para a instalação de fábricas, isenção fiscal dos produtos e todo um aparato estatal, que deu apoio a estas empresas, para trazer a “modernização agrícola” no Brasil. Inicia-se a Revolução Verde e uma das vertentes desta revolução é o uso de agrotóxicos. Estes incentivos ofertados pelo governo as indústrias químicas até os dias atuais, somados ao posicionamento do Brasil, no mundo globalizado, onde passa a ser um grande produtor de commodities agrícolas para exportação e passa a ter uma intensificação da produção da monocultura, que é a base do agronegócio, fez com que atingíssemos a marca de maior consumidor de agrotóxicos mundial, desde 2008.

     Nos anos 80, pressionados pelos trabalhadores que sofriam com intoxicações, as empresas produtoras de agrotóxicos com o apoio e trabalho conjunto com a FAO – Fundação das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, desenvolveram metodologias para o “uso seguro dos agrotóxicos”.
Essa metodologia contém inúmeras e complexas medidas de segurança, distribuídas em várias atividades de trabalho que devem obrigatoriamente serem seguidas pelos agricultores, porém nunca foi feito na prática um estudo que garanta que todas essas medidas possam ser realmente seguidas dentro do contexto socioeconômico de cada agricultor. Um agricultor familiar, por exemplo, que possui uma pequena propriedade de terra, como ele poderá seguir as medidas de segurança de aplicação de agrotóxico a uma distância segura da residência, se a propriedade dele não permite isso. Nas propriedades de pequeno porte é impossível cumprir a distância estipulada pela lei. Seguindo este exemplo, podemos claramente ver que não existe segurança, quando o assunto é agrotóxico. Essas metodologias não foram pensadas para o contexto econômico, do pequeno agricultor. Também não podemos esquecer que de acordo com o pesquisador e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Bernardo Mançano, a Agricultura Familiar é responsável pela produção de cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

    O Sindicato Nacional da Indústria para Defesa Vegetal, ou melhor, o sindicato das empresas produtoras de agrotóxico ,  com  total  interesse  na  venda  dos  insumos químicos, atua através de financiamentos de campanhas dentro da estrutura do governo. Há uma bancada ruralista hoje com mais de 50% dos deputados que estão por trás das liberações de insumos químicos, para que estas substâncias continuem sendo trabalhadas. A ANVISA apesar de ser um órgão do Ministério da Saúde, sofre influência direta das empresas interessadas nas liberações dos agrotóxicos, devido ao grande poder econômico que elas possuem. O trabalho da ANVISA apesar de ser extremamente útil, não pode ser considerado de fato protetor da saúde dos trabalhadores. Há diversos produtos químicos, que já foram comprovados que causam males a saúde, que são proibidos em outros países e que no Brasil tem a liberação da ANVISA. Lembrando que não só a ANVISA como o Ministério da Agricultura e o Ibama em conjunto são responsáveis pelas liberações destas substâncias.

Foto: Aplicação de pesticida sem proteção adequada